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Notícias Equestres


"Caça e Cavalo em Crónicas e Contos” - Novo livro à venda na loja online
26/09/2005
PREFÁCIO DE VASCO GRAÇA MOURA:
«Hesito em classificar os textos deste livro, nas suas evocações narrativas, descrições de peripécias e de estados de espírito. Penso que a designação “histórias de caça” é a que lhe quadra melhor, uma vez que elas se desenvolvem a propósito de actividades cinegéticas, não desdenham do corres¬pondente anedotário circunstancial, percorrem paisagens e ambientes, evocam prazeres de vária ordem. É ainda o livro de um sibarita, que alia a ética e a poética da caça, com as suas regras de prática, de experiência, de convívio e de esforço, aos paladares da comida e da bebida, ao conforto dos ambientes, a um certo sentido patrício do que é típico e tradicional e também a um certo sentido de luxo, comedido e funcional é certo, mas luxo apesar de tudo.
Tudo aqui é muito concretamente identificado, nomeado, caracterizado, avaliado: armas, cães, cavalos, veículos, espécies cinegéticas, tipos de caça; e também figuras humanas, aristocratas e cam¬po¬neses, e também lugares, serranias, descampados, matas e arvoredos, charneca e montados, reservas, caminhadas extenuantes, temporais e calores de rachar, efeitos de luz, sombra e colorido, e também beatitudes, refeições simples ou requintadas, espaços bem mobilados, atmosferas e sabores de “antigamente”, horas plácidas do dia, silêncios gustativos, relaxantes e meditativos... Tudo isso é aqui restituído num léxico permanentemente balanceado entre a precisão da referência e o efeito de estilo, aqui e ali com internacional desenvoltura no recurso à terminologia estrangeira, por vezes com efeitos sugestivos inovadores, como aquele bando de perdizes que levanta dos restolhos e “de asa aberta, sobrevoou ovaladamente uma colina”, por vezes com divertidas auto-ironias, como quando o autor escreve: “as minhas caçadas de 1998 correram em paralelo, ao que parece, com a Economia mundial: - em recessão, quando comparadas com as do ano anterior...”
A saborosa utilização do vocabulário e de giros frásicos próprios da actividade venatória torna mais flagrantes e mais exactamente surpreendidas tantas cenas, como acontece em Camilo, em Aquilino, em Tomás de Figueiredo, a despeito de, por vezes poder causar já certa estranheza no leitor, hoje cada vez mais esquecido dos recursos da língua. Mas já Diogo Fernandes Ferreira na sua Arte da Caça de Altaneria (1616), observava numa sua advertência: “na prática desta arte da caça como em todas as mais andam introduzidos alguns verbos e nomes, os quais somente nela se usam, e das pessoas que não tiveram muita notícia da caça serão estranhados”.
Em Eduardo Santos Silva a memória funciona, ela também, “à caça” de um tempo vivido na caça e dos seus pormenores mais fulgurantes e fugidios, mas num quadro que é mais do que tudo isso para revelar uma postura ante a natureza e ante os códigos que regem a relação do Homem com ela.
O seu objectivo foi escrever de modo a fixar essas relações numa dignidade bem humorada da palavra literária e, acrescente-se, pelo próprio prazer da escrita, de modo a situar por ela as circunstâncias de modo, tempo e lugar, o como, o quando e o onde desse acontecer sazonalmente renovado, por vezes com consciência melancólica de que tudo se vai tornando cada vez mais efémero, de que a tradição, as prerrogativas e os códigos da caça se arriscam a desconcertar-se, de que há quem sinta a necessidade de revivê-los contra o Tempus edax rerum sem perda da alegria quase insolente de ter feito pessoalmente tantas experiências. São histórias da caça na primeira pessoa do singular, em que o narrador coincide com o caçador e em que o caçador tem muito para contar, de si, dos seus parceiros, das suas aventuras tão ricamente irisadas de evocações múltiplas, desde a infância. Em 1387, Gaston Phébus escrevia no prólogo do seu Livre de Chasse: «Tout mon temps, me suis delecté de trois choses: les armes, l’amour et la chasse... Du troisième office, je doute d’avoir eu nul maître». E aqui, muito embora o autor evoque a primeira espingarda que teve, ainda muito jovem, fica-se com a impressão de alguma coisa que, antes de ser aprendida, já lhe estava na massa do sangue, como um engenho próprio, a ser depois com a longa experiência misturado...
Não sou caçador, nem tenho qualquer experiência de caça, pelo que não posso abordar estes textos a partir de outros ângulos, o que eles certamente bem mereciam. Mas, ficando-me ainda e sempre pelo plano literário, creio que é tempo de concluir, “disparando” em tradução livre uns versos do Don Quixote in England, de Fielding, que me parecem sintetizar muito do que Eduardo Santos Silva aqui diz nos seus vários desenvolvimentos e podem portanto servir como epígrafe adequada ao conjunto deles.

A noite turva descavalga os céus
E anuncia o alvor;
Latidos joviais dão os lebréus
Sopra na trompa o batedor:
E então vamos à caça (*)

Vamos então portuguesmente à caça com Eduardo Santos Silva. Já o rei de Boa Memória dizia no Livro da Montaria que o “jogo de andar ao monte é melhor que todolos outros jogos pera recrear o entender”...»

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS:
TÍTULO: Caça e Cavalo em Crónicas e Contos
AUTOR: Eduardo Santos Silva
ILUSTRAÇÕES: Isabel de Goes
FORMATO: 15 x 21 cm
Nº DE PÁGINAS: 242 páginas impressas a sépia em papel amarela mais 2 cadernos de 16 páginas em couché mate, com 72 imagens a cores, perfazendo um total de 272 páginas.
ACABAMENTO: Capa dura com guardas impressa a 4/0 cores, plastificação mate.
PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO: 25,00€
PREÇO DE VENDA CAVALONET: 25,00€

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